Quero sair do Plantão e Viver de Consultório: Quanto Preciso Faturar para Substituir Minha Renda?
Quase todo médico que quer sair do plantão tem a mesma sensação: o dinheiro entra, mas a vida não anda. Plantão dá previsibilidade no curto prazo, porém cobra em energia, sono, presença em casa e controle de agenda. O consultório promete o oposto: autonomia, construção de carteira e crescimento sustentável. Só que ele troca previsibilidade imediata por gestão.
E é aqui que muita gente erra. O médico compara a renda do plantão com o faturamento do consultório como se fossem a mesma coisa. Não são.
Se você quer trocar plantão por consultório sem perder padrão de vida, precisa responder uma pergunta com números: quanto o consultório precisa faturar para sobrar, de forma consistente, o mesmo líquido que você leva hoje?
O primeiro ajuste de mentalidade: plantão paga “hora”, consultório paga “margem”
No plantão, você vende tempo. No consultório, você administra margem.
Margem é o que sobra depois de pagar:
- estrutura operacional
- pessoas e processos
- impostos
- taxas de recebimento
- marketing e aquisição de pacientes
- inadimplência e faltas
Por isso, o faturamento necessário para substituir o plantão quase sempre é maior do que o “líquido desejado”.
Quanto você ganha hoje no plantão, de verdade?
Vamos usar um dado de referência comum no mercado: o valor médio de um plantão de 12 horas gira em torno de R$ 1.207, com variação importante por região e especialidade.
Exemplo simples:
- 10 plantões de 12h por mês
- R$ 1.207 por plantão
Isso dá R$ 12.070/mês de receita bruta associada ao plantão, antes de você considerar impostos e custos pessoais.
A sua meta real, no entanto, não é o bruto. É o líquido que sustenta sua vida.
Então a pergunta correta é: quanto eu preciso tirar todo mês, limpo, para substituir o plantão?
Vamos supor um alvo comum:
- R$ 15.000 líquidos/mês para o médico.
Criamos uma calculadora de referência. Os valores e indicadores apresentados são apenas estimativas e podem não refletir totalmente a sua realidade.
Calculadora de referência: quanto preciso faturar no consultório?
Esta calculadora é uma estimativa para planejamento inicial. Não considera particularidades do seu regime tributário, município, fator R, equiparação hospitalar, sazonalidade, parcelamentos e custos específicos. Use como base e valide com contabilidade especializada.
Quanto precisa faturar para tirar R$ 15.000 líquidos?
Aqui entra uma regra prática que funciona bem como “primeiro orçamento” de transição:
Faturamento necessário = (retirada líquida desejada + custos operacionais) ÷ (1 − impostos efetivos e perdas de recebimento)
O consultório muda muito conforme a realidade do médico, mas você consegue estimar com 3 blocos.
1) Retirada líquida desejada
Exemplo: R$ 15.000
2) Custos operacionais do consultório
Mesmo no consultório enxuto, quase sempre entram:
- sala, sublocação ou aluguel fixo
- secretária ou apoio administrativo
- sistema de agenda e prontuário
- contabilidade
- marketing para manter fluxo constante
- insumos e pequenas despesas
Se você está migrando do plantão, uma estimativa prudente é trabalhar com 20% a 35% do faturamento como custo operacional total, dependendo do seu modelo.
3) Impostos e estrutura PJ
A tributação muda radicalmente de acordo com regime e enquadramento.
No Simples Nacional, para muitos serviços médicos, existe a lógica do Fator R. Quando a folha representa 28% ou mais da receita bruta, a empresa pode migrar para o Anexo III, cuja alíquota inicial é menor. Quando não atinge, cai no Anexo V, cuja alíquota inicial é maior.
Isso importa porque imposto não é detalhe. Imposto é linha grande no DRE, e afeta diretamente o “quanto sobra”.
Simulação prática: substituindo R$ 15.000 líquidos
Vamos construir um cenário conservador, típico de consultório particular em fase de consolidação:
- Retirada líquida desejada: R$ 15.000
- Custo operacional (estrutura, pessoas, ferramentas, marketing): 30%
- Impostos efetivos estimados: 10% a 15% (vai variar conforme regime, Fator R, município e estrutura)
Se você usa como referência 30% de custo + 12% de impostos, você está falando de 42% do faturamento indo embora antes de sobrar algo consistente.
Isso significa que o consultório precisa gerar, aproximadamente:
- Para sobrar R$ 15.000, você tende a precisar faturar algo como R$ 25.000 a R$ 35.000 por mês, dependendo do seu custo e do imposto efetivo.
Esse intervalo é mais honesto do que prometer um número único, porque o que muda o jogo é sua estrutura e seu regime.
O ponto é: a conta quase nunca fecha com “faturar igual ao plantão”.
O que muda totalmente a meta: seu modelo de consultório
Consultório de alto giro (volume)
Clínica médica, pediatria, ginecologia, MFC e outras áreas com alta demanda costumam substituir renda com volume, recorrência e agenda bem ocupada.
O risco aqui é operar cheio e mesmo assim sobrar pouco, se você não controlar faltas, encaixes, tempo de consulta e custo de aquisição.
Consultório de alto ticket (procedimento e cirurgia)
Ortopedia intervencionista, dermatologia, áreas cirúrgicas e nichos com maior ticket tendem a substituir renda com menos pacientes, mas dependem muito de conversão, jornada do paciente e previsibilidade comercial.
O risco aqui é a oscilação. Um mês excelente pode ser seguido de um mês fraco se não houver funil e rotina de captação.
O “ponto cego” que faz médico voltar para o plantão
A maioria não volta para o plantão por falta de capacidade clínica.
Volta por três motivos:
- custo fixo alto cedo demais
- falta de previsibilidade de agenda
- falta de clareza do número mínimo mensal
Sem um número mínimo, você vira refém da ansiedade. E ansiedade leva a decisões ruins: abaixar preço demais, aceitar qualquer convênio, encher agenda com paciente de baixa adesão e comprometer sua margem.
Como fazer a transição sem susto: o método em três fases
Fase 1: consultório como segundo motor, sem romper o caixa
Você mantém parte dos plantões e abre 2 a 4 turnos semanais de consultório. O objetivo não é “lotar”. É validar:
- canal de aquisição
- ticket médio real
- taxa de retorno
- custo por paciente
- rotina operacional
Fase 2: reduzir plantões quando houver previsibilidade
Quando o consultório mantém uma receita minimamente estável por alguns meses, você corta os plantões menos estratégicos, não os mais confortáveis.
A lógica é simples: o plantão vira “colchão” até o consultório virar “motor”.
Fase 3: sair do plantão quando o consultório paga o médico e a operação
O critério mais seguro costuma envolver:
- agenda consistente
- caixa organizado
- capacidade de reinvestir sem sufocar o pró-labore
- reserva mínima para atravessar sazonalidade
Por que tecnologia acelera a substituição de renda
Para substituir plantão, você precisa de eficiência operacional e previsibilidade. Não dá para depender de caderno, mensagem perdida no WhatsApp e falta de controle de retorno.
Quando você integra captação, agenda e rotina clínica, você reduz o atrito que faz o paciente desistir no caminho. Um ecossistema como o BoaConsulta ajuda justamente porque une vitrine digital, agendamento 24h e gestão do consultório em uma mesma lógica, o que tende a aumentar conversão e reduzir falhas operacionais na jornada do paciente.
O consultório precisa substituir sua renda e sua segurança
A pergunta “quanto preciso faturar para sair do plantão” tem uma resposta prática:
Você precisa faturar o suficiente para cobrir estrutura, impostos e ainda sobrar o líquido desejado com previsibilidade.
Em muitos cenários, isso coloca a meta mensal em algo como R$ 25.000 a R$ 35.000 para substituir R$ 15.000 líquidos, mas o seu número real depende do seu custo fixo, do imposto efetivo e do seu modelo de atendimento.
A transição bem-sucedida não é coragem. É engenharia financeira somada a gestão e captação.
Se você quiser, eu também posso incluir no artigo uma seção “faça sua conta em 10 minutos”, com uma fórmula simples e 3 cenários (enxuto, padrão e estrutura completa), já em formato pronto para o blog.
Quer aprofundar esse tema? Ouça o podcast completo
Se você está planejando sair do plantão, estruturar seu consultório ou melhorar sua gestão antes de dar esse passo, recomendamos que assista ao podcast “Do Planejamento à Gestão: Como Ter Sucesso em Seu Consultório Médico?”.
Neste episódio, conversamos com o Dr. Arthur Vicentini, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, sobre os desafios reais da construção de um consultório sustentável e lucrativo.
Ao longo da conversa, você vai entender:
- Como utilizar coworkings de saúde de forma estratégica no início da jornada
- Quais erros financeiros mais comprometem a margem do consultório
- Como estruturar marketing médico dentro das normas éticas
- A importância de organizar fluxo de caixa e indicadores desde o primeiro mês
- Como equilibrar crescimento profissional e qualidade de vida
- Por que um sistema completo de gestão clínica é decisivo para escalar com segurança
Se o seu objetivo é substituir a renda do plantão por um consultório previsível e bem gerido, esse episódio complementa perfeitamente os cálculos e estratégias apresentados neste artigo.
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