Modelo Grátis de Termo de Autorização de Uso de Imagem para pacientes
Se você publica fotos, vídeos ou casos de “antes e depois” dos seus atendimentos, precisa de um termo de autorização de uso de imagem assinado pelo paciente antes de qualquer divulgação. Para facilitar sua rotina, preparamos um modelo gratuito e editável em Word, já atualizado conforme a Resolução CFM nº 2.336/2023 e a LGPD.
É só baixar, marcar as finalidades autorizadas, preencher os dados e colher a assinatura. Você sai com um documento pronto, que protege tanto o paciente quanto a sua atuação profissional.
O que é o termo de autorização de uso de imagem
É o documento em que o paciente (ou seu responsável legal) autoriza, por escrito, o uso da própria imagem, voz e registros clínicos fotográficos captados durante o atendimento. Nele ficam registrados onde as imagens podem aparecer, de que forma e sob quais condições.
Na prática, ele transforma um “pode postar?” informal em um consentimento claro, específico e documentado, do jeito que a legislação e o Conselho exigem.
Por que todo consultório precisa desse documento
A imagem do paciente e os dados de saúde são dados pessoais sensíveis pela LGPD, e o direito de imagem é protegido pelo Código Civil. Publicar sem autorização expõe o profissional a reclamações éticas no Conselho e a responsabilização por danos.
Com o termo assinado, você:
- Registra o consentimento livre, informado e específico exigido pela LGPD.
- Deixa claro o que foi autorizado, evitando mal-entendidos depois da publicação.
- Demonstra boa-fé e organização, caso precise comprovar a autorização.
- Trabalha o marketing do consultório com mais segurança ética e jurídica.
Como usar o modelo (passo a passo)
Depois de baixar, o preenchimento é rápido:
- Insira sua identificação no cabeçalho (nome, especialidade, CRM e RQE) e a logo do consultório.
- Preencha os dados do paciente ou do responsável legal, quando for menor de idade ou incapaz.
- Marque as finalidades autorizadas (redes sociais, site, material impresso, uso científico, mídia paga).
- Defina a forma de exibição: com ou sem identificação do paciente.
- Revise as condições e colha as assinaturas do paciente e do profissional.
Todos os campos e caixas de seleção são editáveis, inclusive o rodapé e a seção de créditos.
O que este modelo inclui e por que cada parte existe
Cada bloco do termo tem uma razão de ser, ancorada na regulação médica e na legislação brasileira. Este é o embasamento:
- Finalidades e forma de exibição: consentimento específico, do jeito que a LGPD pede. O paciente autoriza apenas o que marcou, e nada além disso.
- Condições: deixam claro que a autorização é gratuita, revogável a qualquer tempo por escrito e que a revogação não afeta usos já feitos licitamente, além de vedar o uso sensacionalista ou com promessa de resultado.
- Proteção de dados e base legal: registram que imagem e dados de saúde são dados sensíveis (art. 5º, II da LGPD), que o direito de imagem é protegido pelo art. 20 do Código Civil e que a base legal do tratamento é o consentimento.
- Regra do CFM atualizada: o termo cita a Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde 11 de março de 2024, que é o marco atual da publicidade médica e substituiu a antiga Resolução CFM nº 1.974/2011.
Esse último ponto merece destaque, porque muitos modelos que circulam por aí ainda citam a norma revogada.
Antes e depois: o que mudou com a Resolução CFM nº 2.336/2023
A regra antiga proibia de forma ampla a exposição do paciente. A norma atual passou a permitir o uso de imagens, inclusive de “antes e depois”, em contexto educativo e sem promessa de resultado, mas com cuidados importantes:
- Não identificação do paciente.
- Apresentação conjunta de evoluções satisfatórias, insatisfatórias e possíveis complicações.
- Ausência de sensacionalismo ou de qualquer promessa de resultado igual para todos.
- Identificação do médico na publicação (nome, CRM e RQE, quando houver).
Por isso, mesmo com o termo assinado, vale conferir o Manual de Divulgação de Assuntos Médicos e as normas da sua especialidade antes de publicar.
O que o termo não cobre (e quando o uso continua proibido)
Assinar o termo não é um “cheque em branco”. Ele autoriza um uso específico, dentro de limites que continuam valendo mesmo com a assinatura do paciente. Fique atento aos casos em que a divulgação segue vedada ou simplesmente não está coberta:
- Finalidades não marcadas. O consentimento é específico. Se o paciente autorizou apenas o site, você não pode usar a imagem em mídia paga ou redes sociais. Nova finalidade exige nova autorização.
- Depois da revogação. A partir do momento em que o paciente revoga por escrito, nenhum uso novo é permitido, ainda que a autorização original fosse por prazo indeterminado.
- Forma de exibição diferente da escolhida. Se o paciente optou por “sem identificação”, publicar com rosto visível ou nome descumpre o combinado.
- Promessa de resultado ou sensacionalismo. O termo não legitima usar a imagem para garantir resultados, sugerir superioridade ou apelar para o sensacional. Isso é vedado pela Resolução CFM nº 2.336/2023 independentemente de autorização.
- “Antes e depois” fora do contexto educativo. Sem anonimização e sem a apresentação equilibrada de evoluções e complicações, o uso continua proibido mesmo com o termo assinado.
- Outras pessoas que aparecem na imagem. O termo cobre apenas quem assinou. Outros pacientes, acompanhantes ou familiares no enquadramento precisam da própria autorização.
- Consentimento condicionado ao atendimento. Se a autorização for imposta como condição para ser atendido, ela deixa de ser livre e perde a validade sob a LGPD.
- Repasse ou venda para terceiros. A autorização vale para a divulgação do próprio consultório. Ceder a imagem a marcas, patrocinadores ou vendê-la a terceiros não está coberto, salvo previsão expressa.
- Uso que exponha o paciente a constrangimento. Ainda que autorizada, a imagem não pode ser usada de forma que fira a dignidade ou a privacidade da pessoa.
- Imagens de crianças e adolescentes. Mesmo com o consentimento do responsável, a exposição de menores pede cautela redobrada e deve priorizar o melhor interesse da criança.
Na dúvida, a regra prática é simples: se o uso pretendido não está claramente marcado no termo e alinhado às normas do CFM, não publique antes de obter uma nova autorização.
Importante: revisão jurídica para uso comercial
Este é um modelo genérico, de caráter orientativo: um ótimo ponto de partida, não um documento definitivo. Cada consultório e cada especialidade têm particularidades que um texto padrão não cobre por completo.
Se o termo for usado de forma recorrente ou comercial, o ideal é submetê-lo à revisão de um advogado especialista em Direito Médico e da Saúde, que vai adequá-lo ao seu caso concreto e à legislação vigente no momento do uso.
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