CID Z02.7: O que Significa e Quando Pode ser Utilizado
O CID Z02.7 significa “exame para obtenção de atestado médico”. Ele é usado para identificar uma avaliação realizada com a finalidade de emitir esse tipo de documento, e não para indicar, por si só, uma doença ou lesão.
Na prática, a escolha do código depende do motivo do atendimento, da avaliação feita pelo médico e da finalidade do documento. A inclusão do CID em um atestado também envolve sigilo profissional, privacidade e observância das regras vigentes para documentos médicos.
O que significa o CID Z02.7?
O CID Z02.7 pertence à Classificação Internacional de Doenças e está relacionado ao exame realizado para a obtenção de um atestado médico. A própria estrutura do código indica que ele descreve uma finalidade de avaliação, não um diagnóstico clínico específico.
Por isso, encontrar o CID Z02.7 em um documento não significa que o paciente tenha determinada doença. O código pode indicar que houve uma consulta ou avaliação médica voltada à emissão de um atestado, conforme a situação apresentada e a análise do profissional.
A descrição do código pode ser consultada na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde.
Essa diferença é relevante para quem trabalha em clínicas e consultórios. A recepção, o setor administrativo ou o departamento pessoal de uma empresa não deve interpretar o Z02.7 como se ele trouxesse um diagnóstico detalhado sobre o paciente.
Quando o CID Z02.7 pode ser utilizado?
O CID Z02.7 pode ser utilizado quando o atendimento médico tem como finalidade a avaliação necessária para a emissão de um atestado. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando o paciente procura o profissional para obter um documento relacionado à sua condição de saúde ou à necessidade de afastamento de determinada atividade.
O código deve corresponder ao contexto do atendimento. Se a consulta tiver como objetivo investigar ou tratar uma doença, o médico deverá avaliar se existe outro código mais adequado para registrar a condição clínica identificada. O Z02.7 não deve ser escolhido apenas porque o paciente solicitou um atestado.
A emissão do documento depende da avaliação médica. O profissional pode concluir que há motivo para atestar uma condição, recomendar afastamento por determinado período ou registrar outra informação compatível com o atendimento realizado.
Na rotina da clínica, essa distinção ajuda a evitar registros padronizados sem relação com o motivo real da consulta. Um sistema ou formulário pode facilitar o preenchimento, mas não substitui o julgamento profissional sobre o código e o conteúdo do documento.
O CID Z02.7 indica alguma doença?
Não. O CID Z02.7 não identifica, sozinho, uma doença específica.
Códigos que representam doenças, sintomas ou lesões descrevem condições clínicas. Já o Z02.7 está relacionado à finalidade de uma avaliação médica para emissão de atestado. Portanto, ele não permite concluir qual foi o problema de saúde do paciente, nem confirma que exista uma doença.
Uma forma simples de diferenciar as situações é observar a finalidade de cada informação:
| Informação | O que representa |
|---|---|
| Código de uma doença ou lesão | Uma condição clínica identificada ou considerada na avaliação |
| CID Z02.7 | Um exame realizado com a finalidade de obter atestado médico |
| Atestado médico | Um documento que registra uma informação médica dentro de uma finalidade específica |
O código também não informa automaticamente o período de afastamento, a capacidade laboral ou a gravidade de uma condição. Essas informações, quando pertinentes, devem ser avaliadas e registradas pelo médico conforme o objetivo do documento.
O CID Z02.7 deve constar em todo atestado médico?
Não se deve tratar a inclusão do CID como obrigatória em todo atestado médico. O atestado pode cumprir sua finalidade sem revelar um diagnóstico, especialmente porque informações sobre a saúde do paciente estão protegidas pelo sigilo profissional.
A Resolução CFM nº 2.381/2024 estabelece regras para documentos médicos e deve ser consultada em sua versão vigente. A norma trata de documentos como atestados, declarações, relatórios e pareceres, além de aspectos relacionados ao conteúdo e à emissão.
Em termos operacionais, a clínica precisa separar duas questões:
- a necessidade de emitir um documento médico;
- a necessidade de informar o diagnóstico ou o código correspondente.
O documento pode precisar registrar, por exemplo, a data do atendimento e o período de afastamento recomendado. Isso não significa que o diagnóstico deva ser exposto automaticamente ao empregador, à instituição ou a qualquer terceiro.
Quando houver dúvida sobre a necessidade de inserir o CID, o médico deve verificar as regras profissionais aplicáveis e considerar a autorização do paciente. A equipe administrativa não deve acrescentar o código por conta própria nem alterar o conteúdo definido pelo profissional.
O paciente pode pedir que o CID não seja informado?
A informação sobre o diagnóstico e outros dados de saúde exige cuidado porque pertence à esfera privada do paciente. Em regra, a inclusão de informações clínicas em um documento deve respeitar o sigilo médico e as hipóteses previstas nas normas profissionais.
A solicitação do paciente é um elemento relevante quando ele pede que o diagnóstico ou o CID seja incluído no atestado. Ainda assim, o médico deve avaliar se o conteúdo do documento é adequado, verdadeiro e compatível com o atendimento realizado.

Também podem existir situações específicas relacionadas a dever legal ou justa causa, que precisam ser analisadas conforme a norma aplicável. Por esse motivo, não é recomendável que a clínica adote uma regra automática para inserir ou retirar o CID de todos os atestados.
Uma orientação prática é manter um fluxo que permita ao médico decidir o conteúdo do documento e registrar a autorização do paciente quando necessária. A recepção pode apoiar a organização do processo, mas não deve interpretar a informação clínica nem decidir quando ela será divulgada.
Recomendamos a leitura complementar: Atestado sem CID tem Validade? Quando a Empresa Pode Exigir o Código?
Qual é a diferença entre CID Z02.7, atestado e relatório médico?
O CID Z02.7 é um código de classificação. O atestado e o relatório médico são documentos com finalidades diferentes. Confundir esses elementos pode gerar solicitações inadequadas e aumentar o risco de exposição desnecessária de dados de saúde.
| Elemento | Finalidade |
|---|---|
| CID Z02.7 | Identificar a realização de exame para obtenção de atestado médico |
| Atestado | Registrar uma informação médica específica, como a necessidade de afastamento, quando houver fundamento para isso |
| Relatório médico | Apresentar informações clínicas mais detalhadas, de acordo com a finalidade solicitada |
| Prontuário | Reunir os registros relacionados ao atendimento e à assistência prestada |
O atestado costuma ser mais objetivo. Já o relatório pode exigir uma descrição mais ampla da situação clínica, especialmente quando é solicitado para continuidade do cuidado, avaliação por outro profissional ou finalidade institucional.
O fato de o CID Z02.7 aparecer em um registro não transforma o documento em relatório e não substitui as informações necessárias para que o atestado cumpra sua função.
Quais cuidados o médico deve observar ao utilizar o CID Z02.7?
A utilização do código deve fazer sentido dentro do atendimento e do documento emitido. Alguns cuidados ajudam a reduzir falhas de registro e exposição indevida de informações:
- confirmar se a finalidade da consulta realmente está relacionada à emissão de atestado;
- verificar se existe uma condição clínica que deve ser registrada com outro código;
- informar apenas os dados necessários para a finalidade do documento;
- evitar a inclusão automática do CID em modelos padronizados;
- considerar a autorização do paciente quando a informação diagnóstica for solicitada;
- preservar o sigilo profissional;
- conferir identificação, data, assinatura e demais elementos exigidos para o documento;
- manter o registro adequado no prontuário;
- acompanhar eventuais atualizações das normas do Conselho Federal de Medicina.
O prontuário deve refletir o atendimento realizado, e não apenas o documento entregue ao paciente. Um registro organizado facilita a continuidade do cuidado e permite esclarecer, posteriormente, qual foi a finalidade da consulta e como o atestado foi emitido.
O que a clínica deve fazer ao receber um documento com CID Z02.7?
A equipe administrativa deve interpretar o CID Z02.7 como uma informação relacionada à finalidade da avaliação, não como um diagnóstico completo. Se a empresa, operadora ou instituição solicitar esclarecimentos clínicos, a demanda deve ser encaminhada ao profissional responsável, respeitando a privacidade do paciente.
Também é necessário controlar quem pode acessar atestados e registros que contenham dados de saúde. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei nº 13.709/2018, classifica dados referentes à saúde como dados pessoais sensíveis e estabelece regras específicas para seu tratamento.
Na prática, isso envolve cuidados como:
- evitar o envio de atestados por canais inadequados;
- limitar o acesso aos documentos às pessoas que precisam participar do processo;
- não deixar cópias expostas na recepção;
- armazenar os arquivos em local protegido;
- orientar a equipe sobre sigilo e confidencialidade;
- registrar solicitações e autorizações de forma organizada.
A digitalização pode facilitar a localização e o controle desses documentos, desde que o acesso seja configurado de acordo com a função de cada usuário. Um prontuário eletrônico, por exemplo, pode apoiar a centralização dos registros e reduzir a circulação de papéis, mas não elimina a necessidade de definir permissões e procedimentos internos.
Quando o atendimento envolve diferentes profissionais, uma rotina padronizada também ajuda a evitar que a recepção, o faturamento ou o setor de recursos humanos tenha acesso a informações que não são necessárias para sua atividade. O objetivo é manter o documento útil para sua finalidade, sem ampliar indevidamente a exposição da saúde do paciente.
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