Clínica Médica em Crescimento.

Clínica Médica em Crescimento: Os Principais Riscos Jurídicos Que Muitos Médicos Ignoram!

Crescer é uma ótima notícia para qualquer médico. O consultório ganha fluxo, o faturamento sobe, entra mais gente na operação, surgem novos serviços e a clínica começa a funcionar como uma empresa de verdade.

Só que, junto com esse avanço, aparecem também riscos que muitas vezes não estão no radar do profissional de saúde, justamente porque o foco, naturalmente, continua sendo o atendimento ao paciente.

No trecho do GuiaConsultório #04, o advogado Hugo Palo chama atenção para um ponto importante: mesmo quando não existe uma discussão societária, isto é, quando o problema não é “briga entre sócios”, o crescimento por si só já expõe a clínica a passivos jurídicos que podem se acumular em silêncio e estourar anos depois, em forma de processo, multa, acordo ou desgaste reputacional.

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Quando o consultório vira clínica, o risco muda de nível

Hugo começa respondendo a uma pergunta comum: quais são os principais problemas jurídicos de uma clínica em crescimento, excluindo a questão societária? A resposta não vem com uma “grande tese”, mas com algo mais útil: um mapa dos pontos em que clínicas costumam errar por falta de estrutura.

A lógica é simples. À medida que a operação cresce, ela se torna mais exposta e mais visada. O que antes era resolvido “no improviso” passa a ter impacto real, porque agora existe equipe, volume, recorrência e, consequentemente, rastros documentais e financeiros. E é exatamente isso que transforma pequenos descuidos em passivos que acumulam por anos.

O passivo trabalhista: o problema mais comum e, muitas vezes, invisível

O primeiro tema que Hugo destaca é o direito do trabalho. Ele explica que não atua especificamente como trabalhista, mas que, como advogado, precisa compreender o básico, porque é um dos pontos em que mais clínicas ficam vulneráveis.

Na prática, a observação dele é direta: é muito comum encontrar clínicas que não cumprem corretamente a legislação trabalhista. E o perigo desse tipo de falha é que ela não dá sinais imediatos. A clínica continua funcionando, o time trabalha, a rotina segue, mas o risco vai se acumulando. Quando aparece, costuma vir em forma de ação judicial, fiscalização, desgaste e, muitas vezes, um acordo que o médico sequer imaginava que poderia existir.

O alerta central é sobre coerência e estrutura. Quando uma clínica cresce, ela precisa ter clareza de como trata juridicamente as pessoas que trabalham ali. São colaboradores contratados como CLT? São prestadores PJ? Qual é o regime de trabalho aplicado no dia a dia? O que está escrito em contrato está sendo respeitado na prática? É nesse descompasso entre contrato e realidade que nascem os passivos.

Além da questão legal, existe um ponto empresarial que Hugo sugere com bastante força: cuidar do trabalhista é “saudável” para a empresa. Não é apenas uma exigência formal, mas um pilar de estabilidade para quem quer crescer sem sustos.

Relação com o paciente: promessa, expectativa e risco de conflito

O segundo grande risco levantado por Hugo depende do perfil da clínica, mas tende a ficar mais crítico quando o negócio amplia serviços e aumenta o volume de atendimentos: o atendimento ao paciente e o alinhamento do que é prometido com o que é entregue.

Ele dá um exemplo bem ilustrativo: áreas como estética em sentido amplo, incluindo cirurgia plástica e dermatologia, em que a experiência do paciente está muito ligada à expectativa de resultado. Nesses cenários, quando o alinhamento é mal feito, o risco de conflito cresce. E, se o paciente sente que foi prometido algo que não aconteceu, a clínica se expõe não só a reclamações, mas a processos.

O ponto do trecho é que esse alinhamento precisa estar bem conduzido e, quando necessário, contratualizado. A ideia aqui não é transformar a medicina em um contrato frio, mas estabelecer clareza sobre limites, possibilidades e variáveis. Isso protege a clínica, protege a equipe e ajuda o paciente a compreender o que é realidade e o que é expectativa.

Nesse momento, Hugo também conecta o tema à maturidade operacional: quando a clínica fica maior, não basta que o médico “faça certo”. É preciso que a equipe inteira esteja bem treinada para manter padrões e evitar comportamentos de risco, especialmente em temas sensíveis como dados e comunicação com o paciente.

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Dados de paciente e LGPD

Um dos trechos mais práticos e “pé no chão” da conversa é quando Hugo entra no tema do sigilo e proteção de dados. Ele lembra que a clínica lida com informações sensíveis, e que, quando o negócio cresce, a chance de falhas aumenta, porque mais pessoas passam a acessar prontuários, exames e registros.

O risco não está apenas em grandes vazamentos intencionais. Muitas vezes, ele começa em hábitos comuns e mal percebidos, como prontuários acessados sem critério, informações compartilhadas com quem não deveria ver, exames e imagens armazenados em celulares pessoais, ou arquivos guardados em conversas de WhatsApp “porque é mais fácil”. O problema é que, um dia, isso pode vazar. E quando vaza, a clínica pode enfrentar consequências sérias.

Hugo amplia o alerta para um cenário que muita gente ainda subestima: ataques cibernéticos. Ele menciona explicitamente que existem criminosos que invadem sistemas, sequestram arquivos e pedem resgate. Quando isso acontece, a clínica pode virar refém de uma crise operacional e reputacional ao mesmo tempo.

A mensagem aqui é objetiva: estruturação de dados é importantíssima, especialmente hoje. E isso não diz respeito apenas a “ter um sistema”, mas a ter processos, acesso controlado, boas práticas e uma cultura interna mínima de segurança da informação.

O fiscal e o crescimento

Depois de trabalhista, atendimento e dados, Hugo traz um ponto que costuma assustar quando aparece: o fiscal.

Segundo ele, quando a clínica cresce, ela tende a ficar mais complexa também do ponto de vista tributário e de obrigações. Um exemplo citado no trecho é a mudança de regime: consultórios pequenos muitas vezes estão no Simples Nacional, mas, ao virar clínica e ganhar escala, podem migrar para regimes mais onerosos, como o Lucro Presumido. Com isso, surgem mais obrigações acessórias, mais declarações e mais chance de “escorregar” se a operação não estiver organizada.

Ele descreve situações bem práticas: nota emitida de forma incorreta, entradas e saídas registradas de forma falha, declarações incompletas. O problema é que o impacto fiscal costuma ser duro. Dependendo da irregularidade, a Receita pode cobrar imposto não pago com multas pesadas, mencionando inclusive cenários em que a penalidade chega a 100% do valor devido, além de juros e correção. É o tipo de passivo que compromete caixa e gera muita dor de cabeça.

Hugo também faz uma observação interessante sobre estrutura interna e terceirizada. Em alguns momentos de crescimento, a clínica passa a ter contador interno ou equipe interna cuidando de rotinas fiscais. E, quando isso acontece, a responsabilidade se torna mais difícil de discutir, porque a falha passa a estar “dentro de casa”. Por isso, o cuidado com processos e gestão fiscal precisa ser proporcional ao tamanho do negócio.

Seguro de responsabilidade

Depois de listar riscos e passivos, Hugo apresenta um instrumento que ele recomenda com ênfase: o seguro de responsabilidade.

Ele explica que muitos médicos não conhecem esse tipo de seguro e não sabem que ele pode ser uma camada de proteção financeira em casos de litígio, processo judicial e situações que envolvam indenizações. A lógica é simples: medicina não é ciência exata. Mesmo com boa técnica, conduta adequada e ética, intercorrências podem acontecer, especialmente em procedimentos mais sensíveis. E quando há processo, o desgaste pode ser grande, mas o impacto financeiro pode ser ainda maior.

O seguro, na visão dele, não impede que um processo exista. O objetivo principal é reduzir o risco de que uma condenação ou acordo destrua financeiramente o profissional ou a clínica. Ele dá exemplos de valores altos frequentemente pleiteados em ações, e reforça que, quando o negócio cresce e fica mais visado, esse tipo de risco tende a aumentar.

Outro ponto importante do trecho é que esse seguro não se limita ao médico como pessoa física. Ele menciona que pode ser estendido à pessoa jurídica, inclusive para cenários como vazamento de dados dentro do contexto da LGPD. A clínica continua sujeita a intercorrências, mas ter cobertura pode trazer a “tranquilidade de respirar” se um dia uma crise se concretizar.

Hugo ainda faz questão de esclarecer que não é corretor e não está vendendo seguro. O que ele defende é um princípio de prudência: profissionais liberais que lidam com situações sensíveis, com risco e com responsabilidade direta sobre pessoas, deveriam considerar seriamente esse tipo de proteção desde cedo.

E ele fecha com um alerta que costuma ser ignorado por quem está no começo: muitos processos aparecem anos depois. Às vezes, a ação chega referente a uma época em que o médico ainda dava plantão e nem tinha consultório próprio. Por isso, na visão dele, principalmente para plantonistas, contratar um seguro pode ser uma medida inteligente antes mesmo de “virar empresário”.

O que o crescimento exige: prevenção, clareza e rotina de gestão

Embora o trecho seja objetivo, ele deixa uma mensagem maior por trás: clínica em crescimento precisa de postura empresarial. Isso não significa perder o foco no cuidado, mas reconhecer que o risco jurídico não some por boa intenção. Ele diminui com estrutura, consistência e prevenção.

Quando a clínica cresce, os temas mudam de escala. Um contrato mal feito vira passivo. Um hábito ruim com dados vira crise. Uma nota emitida errada vira multa. Uma expectativa mal alinhada vira processo. E o que Hugo sugere é que, se o médico enxerga esses pontos antes, ele consegue ajustar o rumo com muito menos custo emocional e financeiro.

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